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Como gémeos siameses,
tu és da minha carne, do meu sangue.
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Um destes dias adormecerás e eu já não habitarei
os teus sonhos. As mulheres que te visitam terão outro rosto e
outro corpo que não o meu. Um dia destes hei-de encontrar-te de
novo e não me lembrarei já do teu nome nem do formato peculiar
das tuas mãos, olhar-te-ei nos olhos como se fosses um estranho.
Balbuciarás algo que escolherei não entender e um rio abrir-se-á
entre nós. De início não será mais que um
pequeno fio de água que aumentará a cada dia que passa até
ficar tão grande que barcos poderiam nele velejar, se barcos existissem
na nossa memória. Um dia, um de nós atirar-se-á a
esse rio imenso e ficará imóvel à medida que as águas
o puxam para baixo. E o outro, o que até aqui fingia não
ouvir a água que batia a seus pés, atirar-se-á em
socorro daquele corpo que já mal respira. Um destes dias morreremos
os dois num abraço, num doce abandono parecido com o sono. E de
todas as coisas que já dissemos um ao outro, subsistirá
apenas uma, o segredo.
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