Como gémeos siameses,
tu és da minha carne, do meu sangue.

 

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A Luz atravessava-o de um lado ao outro como se não fosse feito da mesma matéria que eu. Ensinei-lhe o ritual matinal de preparar o corpo para sair à rua, enfrentar o dia. Passar a água perfumada pela pele, escovar o cabelo, vestir roupa limpa e acabada de passar a ferro. As mãos brancas, imaculadas, procuravam as minhas ainda molhadas. Queres que te conte um segredo? Quase já não sinto nada, quase já não penso em ti, aqui, neste quarto talhado de pequenos riscos de luz onde um dia te chegaste mais perto e pousaste os teus lábios nos meus como se procurasses um porto de abrigo. Onde barcos poderiam velejar, se barcos houvessem na nossa memória. Há coisas em nós que estão já diferentes, coisas do domínio dos ossos, da pele.

 

     
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